Hugo Anunciato expõe motivos que o levaram a deixar grupo Brandão e apoiar Eduardo Braide

Na sessão desta segunda-feira (31) da Câmara Municipal de Colinas, o vereador Hugo Anunciato subiu à tribuna para explicar as razões que o levaram a deixar o grupo político do governador Carlos Brandão e declarar apoio à candidatura de Eduardo Braide ao Governo do Maranhão.

O rompimento político já havia sido anunciado pelo vereador na semana passada. Desta vez, porém, Hugo dedicou seu pronunciamento a fazer um retrospecto de sua trajetória política e apresentar aos colegas e à população os motivos que, segundo ele, estão por trás da decisão.

Hugo lembrou que sua família mantém uma relação política histórica com o grupo Brandão desde 1992, quando ainda nem era nascido. Apesar dessa proximidade, ele afirmou que nas eleições que disputou antes de conquistar o mandato em 2024, não recebeu o respaldo que esperava do grupo ao qual sempre esteve ligado.

Segundo o vereador, em 2016, não houve estímulo nem apoio para sua candidatura. Quatro anos depois, em 2020, a situação teria se repetido.

Foi nesse contexto que Hugo relatou um episódio que, segundo ele, foi determinante para compreender sua posição dentro do grupo político. O vereador afirmou ter ouvido de Audreia Noleto, esposa de Marcus Brandão, que nem ele nem sua família seriam considerados pessoas de confiança do grupo.

O relato foi apresentado por Hugo como parte de uma trajetória que, apesar da histórica fidelidade política de sua família aos Brandão, não teria sido acompanhada pela mesma reciprocidade quando ele decidiu construir sua própria carreira eleitoral.

Ao justificar a escolha por Eduardo Braide, Hugo deixou claro que considera o atual prefeito de São Luís a melhor opção para comandar o Maranhão. O vereador destacou que Braide é um nome que já passou pelo crivo das urnas e que, em sua avaliação, teve sua gestão aprovada pela população de São Luís. Hugo também citou pesquisas que apontam o prefeito da capital entre os gestores municipais mais bem avaliados do país.

Para o parlamentar, seu apoio não representa apenas uma mudança de lado político, mas sim uma escolha baseada no nome que considera mais preparado e com melhores condições para disputar e governar o Estado.

O ponto mais forte do discurso, no entanto, veio no encerramento. Hugo afirmou que sua decisão também representa uma mudança na forma como pretende exercer o mandato. O vereador declarou que não será mais um parlamentar vinculado aos interesses de um grupo político e que não permitirá ser tutelado politicamente.

A partir de agora, segundo Hugo, sua principal referência será o eleitor que o colocou na Câmara Municipal de Colinas. A fala sintetizou o sentido que o vereador pretende dar à sua nova posição política: não apenas explicar por que deixou o grupo que acompanhou durante anos, mas afirmar que pretende construir uma atuação independente e diretamente ligada à população.

“Não serei vereador de um grupo. Não me permitirei mais ser tutelado por um grupo. Serei o vereador do povo que me elegeu”, afirmou Hugo ao concluir seu pronunciamento.

Vereador Hugo Anunciato rompe com grupo Brandão e declara apoio a Eduardo Braide em Colinas

O vereador Hugo Anunciato, de Colinas, decidiu deixar o grupo político do governador Carlos Brandão e declarou apoio à candidatura de Eduardo Braide ao Governo do Maranhão. O movimento ganha peso no cenário político local porque Hugo, até então, integrava a base de apoio do prefeito Renato Santos e fazia parte do grupo que tem Orleans Brandão como candidato ao Palácio dos Leões.

Vereador de primeiro mandato, Hugo construiu sua trajetória política em Colinas a partir de um trabalho próximo da população, especialmente com ações voltadas para ajudar quem mais precisa. Mesmo mantendo alinhamento com o grupo Brandão, o parlamentar sempre preservou uma postura de relativa independência dentro da Câmara Municipal, não se limitando a seguir automaticamente as posições do grupo político ao qual pertencia.

A decisão de apoiar justamente Eduardo Braide, principal adversário de Orleans Brandão na disputa pelo Governo do Estado, coloca Hugo em uma nova posição no tabuleiro político de Colinas. Com o rompimento, o vereador passa a ser visto como a principal liderança de oposição no município, assumindo um protagonismo que pode crescer nos próximos meses.

O movimento também abre uma perspectiva para as eleições municipais de 2028. Aos poucos, Hugo Anunciato já começa a ser apontado nos bastidores como um dos nomes que podem disputar a Prefeitura de Colinas em 2028, em confronto direto com o atual prefeito Renato Santos, que deve disputar a reeleição. A movimentação promete mexer com o cenário político local e abrir uma nova disputa pela liderança da oposição.

Pelo visto Colinas já começa a olhar para 2028.

Depoimento de Gilbson Cutrim cita possível presença de Marcus e Orleans Brandão na cena do crime do Tech Office

Um trecho do depoimento prestado por Gilbson César Soares Cutrim Júnior à Polícia Federal, reproduzido pelo ministro Flávio Dino em decisão do Supremo Tribunal Federal que levou ao afastamento do conselheiro Daniel Brandão da presidência da corte de contas, além de relatar detalhes do encontro ocorrido no edifício Tech Office, em São Luís, entre Gilbson, Daniel Brandão, Beto Castro e João Bosco, que levou ao assassinato deste último, menciona também a possível presença de Marcus Brandão e seu filho Orleans Brandão no local.

Segundo o depoimento, Gilbson afirmou que Daniel Brandão teria marcado o encontro após uma conversa sobre assuntos relacionados ao pagamento de propina. Ao chegar ao local, ele encontrou Daniel Brandão, Beto Castro e João Bosco. O próprio relato é utilizado na decisão para sustentar a versão de que Daniel esteve no local e participou das tratativas que antecederam o episódio investigado.

É durante a descrição desse encontro que aparece uma informação envolvendo Marcus Brandão e seu filho Orleans Brandão. Gilbson afirma que, enquanto estava no local, percebeu a presença de Toyota SW4 cinza que, segundo ele, costumava ser usada Marcus Brandão e também por seu filho Orleans Brandão.

A informação ganha relevância porque, de acordo com a própria decisão, a reunião no Tech Office teria sido marcada por Daniel Brandão e contou com a presença de Gilbson, Daniel, Beto Castro e João Bosco. Imagens das câmeras de segurança do edifício também são mencionadas na decisão como parte dos elementos analisados pela Polícia Federal. Até então não se tinha falado da presença de outros membros da família Brandão no local.

Outro trecho reproduzido por Flávio Dino mostra Gilbson relatando que, após o encontro, Daniel teria mantido contato telefônico com ele. A decisão considera os depoimentos e as imagens do Tech Office relevantes para a investigação sobre as circunstâncias que antecederam o assassinato de João Bosco.

STF afasta Daniel Brandão da presidência do TCE-MA e impõe restrições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o afastamento por 180 dias do conselheiro Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos e agentes ligados à estrutura política e administrativa do Estado. O afastamento foi uma das principais medidas cautelares solicitadas pela Polícia Federal e acolhidas na decisão.

Além de deixar temporariamente o comando do TCE-MA, Daniel Brandão ficou submetido a restrições destinadas a impedir eventual interferência nas investigações. Entre as medidas determinadas estão proibições de contato com pessoas relacionadas à apuração e de acesso ou utilização de determinadas estruturas do próprio órgão que preside, além de ter acesso a informações que possam estar relacionadas aos fatos investigados.

Dentre as pessoas que Daniel Brandão está proibido de manter contatos estão seus tios Carlos e Marcus Brandão e também o ex-secretário Raimundo Cutrim. O conselheiro também não pode manter contato de qualquer natureza com parentes de Gilbson Cutrim, assassino confesso do famoso caso Tech Office ou com qualquer parente deste até o terceiro grau.

A decisão cita ainda elementos que apontariam para possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos, movimentações financeiras e pagamentos ilícitos, além de mencionar suspeitas de uma possível atuação direcionada da Polícia Civil do Maranhão no contexto dos fatos investigados.

De como a família Brandão concentra poder e não cumpre acordos políticos…

A concentração de poder dentro da família do governador Carlos Brandão tornou-se uma das principais marcas do governo. Ao mesmo tempo em que os principais espaços permanecem sob influência direta de familiares ou de pessoas de extrema confiança do grupo, a família também acumula episódios de acordos políticos que acabaram não sendo cumpridos.

O resultado é um modelo de poder cada vez mais fechado em torno do núcleo familiar, com pouca disposição para compartilhar espaços estratégicos com aliados. Deixaram de ler Maquiavel.

No centro dessa estrutura está Marcus Brandão, irmão do governador, e sua esposa, Audréia Noleto, apontados como figuras de maior influência dentro do governo. Sob a órbita do casal estão áreas estratégicas como Educação, Saúde, Comunicação e Cultura.

A lógica é simples: quando um cargo não é ocupado diretamente por alguém da família, a preferência recai sobre pessoas que já trabalharam com o grupo e gozam de absoluta confiança. “Alguém da cozinha deles”, como bem disse um vereador da cidade de Colinas aliado da família.

É nesse contexto que aparecem nomes como Liliane Neves, na Saúde, Jandira Dias, na Educação, e ainda Iêda Aragão – adjunta da Cultura, mas que manda mais do que o titular – ambas próximas de Audréia. Na prática, o controle político das secretarias ultrapassaria a relação formal entre governador e secretários, concentrando decisões no núcleo familiar.

Do outro lado da estrutura está José Henrique Brandão, ex-prefeito de Colinas por duas vezes e irmão do meio do governador. A ele são atribuídas fortes influências sobre a SINFRA, a SEPLAN e o Porto do Itaqui.

Na SEPLAN, até abril deste ano, o comando estava nas mãos de Vinícius Ferro, genro de José Henrique, que deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado federal. Já o Porto do Itaqui, uma das estruturas mais estratégicas e cobiçadas do Estado, é administrado pela EMAP, atualmente sob o comando de Oquerlina Costa, que vem a ser uma ex-secretária de José Henrique.

A fotografia do governo, portanto, revela uma característica evidente: os espaços mais importantes estão concentrados entre familiares, parentes e pessoas com ligações quase que umbilicais com a família, geralmente um ex-empregado.

A concentração familiar seria apenas uma característica administrativa se não estivesse acompanhada de outro problema: a dificuldade de cumprir acordos políticos.

Nesse sentido, um dos dos primeiros episódios ocorreu exatamente em 2022.

Naquele ano, Flávio Dino, então governador e candidato ao Senado, articulou a união entre Carlos Brandão e Othelino Neto, que presidia a Assembleia Legislativa. O acordo previa o apoio de Othelino à candidatura de Brandão, em troca da continuidade de Othelino na presidência da Assembleia a partir de 2023. Também fazia parte da composição a indicação de Ana Paula Lobato, esposa de Othelino, como primeira suplente de Dino na disputa pelo Senado.

Othelino abandonou a candidatura de Weverton Rocha (aqui ninguém aparta!) e passou a apoiar Brandão. Depois da vitória eleitoral, porém, o compromisso em relação à presidência da Assembleia não foi mantido. Brandão apoiou a candidatura de Iracema Vale, que acabou assumindo a presidência da Casa e entregando o comando direto ao Marcus Brandão, que virou um tal de diretor de Relações Institucionais com poder de mando até sobre a própria presidente.

Outro episódio citado nos bastidores envolve Colinas, cidade de origem da família Brandão. Segundo a articulação política estabelecida entre as famílias Brandão e Barroso, o grupo ligado ao deputado federal Márcio Jerry teria ajudado os Brandão nas eleições municipais de 2016 e 2020. Em contrapartida, os Brandão apoiariam um nome dos Barroso na eleição municipal de 2024.

O compromisso, entretanto, não foi cumprido. Em vez de apoiar um integrante da família Barroso, no caso o vice-prefeito João Haroldo, o grupo Brandão, mesmo já de posse do Estado todo, lançou um nome de sua própria confiança para disputar a Prefeitura, o caso o ex-empregado da família Renato Santos.

O caso mais importante, porém, é o rompimento da composição que envolvia o vice-governador Felipe Camarão. A aliança estabelecida na sucessão de 2022 previa que Carlos Brandão deixaria o governo para disputar o Senado, permitindo que Camarão assumisse o Palácio dos Leões e disputasse a reeleição de 2026 como candidato do grupo, como fez Brandão em 2022.

Em vez de entregar a sucessão ao vice-governador, os Brandão, leia-se Marcus Brandão, preferiram trabalhar pela candidatura de Orleans Brandão, filho de Marcus Brandão, para o governo do Estado. Orleans, então com 30 anos e sem experiência anterior em mandato eletivo, passou a ocupar o centro do projeto político da família.

A escolha sintetiza a lógica que vem sendo apontada pelos adversários do grupo: quando chega a hora de dividir o poder com um aliado, prevalece a opção por alguém da própria família.

Mas o projeto familiar não se limita a Orleans. Mariana Brandão, filha de Marcus Brandão, ocupa atualmente a vice-prefeitura de Paço do Lumiar. Assim, em poucos anos, o sobrenome Brandão passou a ocupar posições estratégicas em diferentes níveis da estrutura política maranhense.

É justamente essa expansão que alimenta a crítica de que o grupo estaria transformando o governo em uma espécie de condomínio familiar, no qual os principais espaços são distribuídos entre parentes e pessoas de confiança.

Dentro desse cenário, Marcus Brandão aparece como uma das figuras centrais. Conhecido nos bastidores por seu temperamento explosivo e por exercer forte influência sobre o irmão governador, Marcus é apontado por adversários como um dos principais responsáveis pela mudança de rota em relação aos antigos acordos políticos.

Foi ele, segundo essa avaliação, quem resistiu à manutenção de Othelino na presidência da Assembleia, e quem teria participado da decisão de não cumprir os acordos com os Barroso, e quem ainda mais pressionou para que o projeto eleitoral da família fosse levado adiante com Orleans Brandão, seu filho, como candidato ao governo.

Ao lado da esposa Audréia Noleto, Marcus passou a representar o núcleo mais influente da família dentro do Palácio dos Leões. O problema para os Brandão é que a mesma estratégia que fortalece o controle interno pode produzir isolamento político externo. Quanto mais espaços são concentrados na família, menor tende a ser o espaço reservado aos aliados. E quanto mais acordos são rompidos, maior é a dificuldade de construir novas alianças.

A questão que começa a se colocar no cenário político maranhense é justamente essa: até onde um grupo consegue avançar mantendo o poder concentrado dentro da própria família e, ao mesmo tempo, dispensando antigos aliados?

Para os críticos do governo, a resposta já estaria sendo dada pela própria trajetória recente dos Brandão: o grupo não apenas concentra poder — teria também dificuldade de dividi-lo quando chega a hora de cumprir os acordos que ajudaram a construí-lo.