Depoimento de Gilbson Cutrim cita possível presença de Marcus e Orleans Brandão na cena do crime do Tech Office

Um trecho do depoimento prestado por Gilbson César Soares Cutrim Júnior à Polícia Federal, reproduzido pelo ministro Flávio Dino em decisão do Supremo Tribunal Federal que levou ao afastamento do conselheiro Daniel Brandão da presidência da corte de contas, além de relatar detalhes do encontro ocorrido no edifício Tech Office, em São Luís, entre Gilbson, Daniel Brandão, Beto Castro e João Bosco, que levou ao assassinato deste último, menciona também a possível presença de Marcus Brandão e seu filho Orleans Brandão no local.

Segundo o depoimento, Gilbson afirmou que Daniel Brandão teria marcado o encontro após uma conversa sobre assuntos relacionados ao pagamento de propina. Ao chegar ao local, ele encontrou Daniel Brandão, Beto Castro e João Bosco. O próprio relato é utilizado na decisão para sustentar a versão de que Daniel esteve no local e participou das tratativas que antecederam o episódio investigado.

É durante a descrição desse encontro que aparece uma informação envolvendo Marcus Brandão e seu filho Orleans Brandão. Gilbson afirma que, enquanto estava no local, percebeu a presença de Toyota SW4 cinza que, segundo ele, costumava ser usada Marcus Brandão e também por seu filho Orleans Brandão.

A informação ganha relevância porque, de acordo com a própria decisão, a reunião no Tech Office teria sido marcada por Daniel Brandão e contou com a presença de Gilbson, Daniel, Beto Castro e João Bosco. Imagens das câmeras de segurança do edifício também são mencionadas na decisão como parte dos elementos analisados pela Polícia Federal. Até então não se tinha falado da presença de outros membros da família Brandão no local.

Outro trecho reproduzido por Flávio Dino mostra Gilbson relatando que, após o encontro, Daniel teria mantido contato telefônico com ele. A decisão considera os depoimentos e as imagens do Tech Office relevantes para a investigação sobre as circunstâncias que antecederam o assassinato de João Bosco.

STF afasta Daniel Brandão da presidência do TCE-MA e impõe restrições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o afastamento por 180 dias do conselheiro Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos e agentes ligados à estrutura política e administrativa do Estado. O afastamento foi uma das principais medidas cautelares solicitadas pela Polícia Federal e acolhidas na decisão.

Além de deixar temporariamente o comando do TCE-MA, Daniel Brandão ficou submetido a restrições destinadas a impedir eventual interferência nas investigações. Entre as medidas determinadas estão proibições de contato com pessoas relacionadas à apuração e de acesso ou utilização de determinadas estruturas do próprio órgão que preside, além de ter acesso a informações que possam estar relacionadas aos fatos investigados.

Dentre as pessoas que Daniel Brandão está proibido de manter contatos estão seus tios Carlos e Marcus Brandão e também o ex-secretário Raimundo Cutrim. O conselheiro também não pode manter contato de qualquer natureza com parentes de Gilbson Cutrim, assassino confesso do famoso caso Tech Office ou com qualquer parente deste até o terceiro grau.

A decisão cita ainda elementos que apontariam para possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos, movimentações financeiras e pagamentos ilícitos, além de mencionar suspeitas de uma possível atuação direcionada da Polícia Civil do Maranhão no contexto dos fatos investigados.