O erro de cálculo de Orleans que pode lhe custar a eleição…

História política não é opinião, é fato. E quem tenta ignorar a história no Maranhão costuma pagar um preço alto nas urnas. O eleitor maranhense tem uma dinâmica muito própria quando o assunto é eleição presidencial versus eleição estadual. O povo vota em Lula? Vota. Sem precisar colocar os pés no estado, Lula arranca algo em torno de 70% dos votos por aqui, como tem sido nas eleições presidenciais desde 2006. Mas a história já cansou de nos ensinar uma lição fundamental: Lula não transfere voto no Maranhão.

Fosse assim, Felipe Camarão e Eliziane Gama estariam liderando com folga todas as pesquisas de intenção de voto. Se transferência fosse matemática exata, Roseana Sarney teria vencido em 2006 com o apoio ostensivo de Lula – e quem levou foi Jackson Lago. Em 2014, o petista voltou a apoiar o grupo governista com Lobão Filho e o Maranhão deu a vitória a Flávio Dino. É como se o eleitorado maranhense dissesse em alto e bom som a cada pleito: “Lula, eu voto em ti, mas não voto em quem tu mandar”.

Orleans Brandão parece completamente desatento a essa realidade.

Ao ir para as redes e para os palanques disparar que “quem é neutro é sabão”, se posicionando como o verdadeiro representante do lulismo e conclamando o povo a “fugir do obscurantismo”, Orleans comete um erro primário de estratégia. A fala soa desnecessariamente agressiva ao eleitor que vota em Flávio Bolsonaro e vota nele, Orleans.

Os mais de 40% que Orleans contabiliza nas principais pesquisas não vêm exclusivamente da bolha lulista. Boa parte desse eleitorado é composta por pessoas que votam nele para o governo do Estado, mas que preferem Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Quando Orleans resolve fazer críticas pesadas e desmedidas a Flávio Bolsonaro para provar uma pureza ideológica que o maranhense nunca exigiu dele, ele agride diretamente esse eleitor mais à direita que garante a sua competitividade.

Esse posicionamento afasta principalmente o eleitor da Região Tocantina – mais precisamente de colégios eleitorais importantes como Imperatriz e Balsas – um eleitorado alinhado fortemente com a direita e que vem dando uma votação expressiva em Bolsonaro e aliados desde 2018. Ao hostilizar esse eleitorado conservador do sul e do oeste do estado, Orleans o constrange e o empurra direto para os braços de Eduardo Braide.

O caminho maduro e pragmático para Orleans seria exatamente o oposto: a neutralidade. Ele deveria olhar ao redor e aprender com quem sabe fazer política de coalizão ampla em estados de dinâmica parecida.

Olhem para Ciro Gomes no Ceará ou para Raquel Lyra em Pernambuco. Ambos construíram palanques plurais, onde convivem em harmonia lideranças lulistas e bolsonaristas. Por reconhecerem a complexidade do seu eleitorado, declararam neutralidade em relação à disputa nacional para focar na gestão e na política estadual. Respeitaram, acima de tudo, o eleitor.

Se declarar neutro no Maranhão não é falta de lado; é inteligência política e respeito à pluralidade de quem vota. Querer vestir o figurino de candidato oficial do Lula, mesmo sem sê-lo, já que Lula apoia Camarão no Maranhão, é tentar se agarrar a uma muleta que a própria história maranhense já provou ser de barro.

Não sei quem está ao lado de Orleans lhe dando conselhos neste momento, mas de uma coisa eu tenho certeza: definitivamente não está sendo o melhor conselho.