A estratégia suicida de Orleans Brandão

O núcleo duro da campanha de Orleans Brandão decidiu apostar todas as fichas em uma estratégia ousada, pra não dizer suicida: atrelar a imagem do candidato ao presidente Lula. Em cada palanque e a cada discurso pelo interior, Orleans se apresenta como um lulista de carteirinha. A estratégia só ignora o seguinte detalhe: Lula apoia o correligionário Felipe Camarão. Confiantes no peso do lulismo no estado, os estrategistas da campanha operam sob a premissa pragmática de que, como o presidente ostenta cerca de 60% das intenções de voto no Maranhão, colar nessa marca garantiria automaticamente uma gorda fatia desse eleitorado.

A arquitetura eleitoral traz as digitais do prefeito de São Mateus do Maranhão, o obtuso Miltinho Aragão, que age como uma espécie de Duda Mendonça tupiniquim. Dizem que até o jingle de Orleans é de autoria dele. Ao tentar abocanhar a sombra do lulismo a qualquer custo, a equipe de Orleans fecha os olhos para o efeito colateral imediato: a repulsa sumária do eleitorado de direita. O movimento o empurra para longe o eleitorado conservador da região Sul do estado, com destaque para polos do agronegócio como Imperatriz e Balsas, onde o bolsonarismo reina absoluto e o mercado produtivo dita o tom do debate público.

O impacto dessa polarização forçada já começa a ser sentido nos números. Pesquisas recentes registram uma ascensão consolidada de Eduardo Braide nesses importantes colégios eleitorais do Sul, evidenciando o desgaste precoce da tática adotada. O eleitor conservador ao ver Orleans marchar de mãos dadas com a retórica governista de Brasília, busca abrigo natural em candidaturas que dialoguem com suas pautas e valores econômicos. O que deveria funcionar como um imã de votos na base popular pode acabar se transformando em um poderoso repulsor na segunda maior força política e econômica do estado.

Por trás dessa aposta arriscada, esconde-se também um aparente excesso de autoconfiança no cenário nacional. Os gurus do QG de Orleans parecem dar como certo um segundo turno em duas frentes: na disputa estadual, contra Braide, e na corrida presencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na cabeça dos estrategistas, em uma disputa ombro a ombro contra o bolsonarismo no segundo turno, Lula seria forçado a desembarcar no Maranhão para subir no palanque de Orleans, jogando Braide definitivamente nos braços do clã Bolsonaro.

A grande falha dessa equação, no entanto, reside naquilo que os marqueteiros convenientemente preferem ignorar: e se a história não seguir esse roteiro pré-fabricado? A política costuma ser implacável com quem faz contas sem combinar com o eleitor. Se a eleição se liquidar ainda no primeiro turno – seja no âmbito estadual, seja no cenário nacional – toda essa engrenagem rui de forma irreversível. Ao trocar uma construção sólida e equilibrada por um atalho calcado em cenários incertos, a campanha de Orleans corre o risco real de ver o seu castelo de cartas desmoronar antes mesmo de chegar no momento decisivo das urnas.