Audreia e Marcus são os verdadeiros culpados pela derrocada dos Brandão…

A vitória de Eduardo Braide no primeiro turno deixou clara uma coisa: máquina não ganha eleição sozinha, não mais. A aposta dos Brandão em Orleans revelou arrogância e soberba de um grupo que achou que bastava a força do Palácio dos Leões para emplacar qualquer poste ao governo. Isso funcionou tempos atrás, mas agora não.

Os Brandão tinham opções mais viáveis e de peso político mais consistente para a disputa, a exemplo dos deputados federais André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes ou mesmo a deputada estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, ambos testados nas urnas e com trânsito político consolidado. Mas o núcleo familiar, leia-se Marcus Brandão e sua espalhafatosa esposa Audreia Noleto, preferiu fechar questão em torno de um nome do seio familiar.

Os dois atropelaram nomes com densidade eleitoral para bancar Orleans Brandão, filho de Marcus e enteado de Audreia, um jovem de 30 anos sem história e traquejo na política e sem bagagem em gestão pública, cujo currículo resumia-se a uma breve passagem de 20 dias pela iniciativa privada e um cargo de secretário estadual numa secretária sem orçamento dada de presente pelo tio.

Sem “arrudeios”, até a mais inocente das criancinhas conclui: Marcus Brandão e Audreia Noleto são os únicos culpados pela derrota de Orleans e pela derrocada do grupo político mais breve que já passou pelo comando do Maranhão. Foram eles que tiveram a ideia estapafúrdia de lançar um neófito na política. E foram eles quem realmente ditaram os rumos da campanha e da articulação política, logo, a máxima culpa é deles.

Audreia, que é enfermeira de formação e sem experiência em articulação ou marketing eleitoral assumiu, com as bençãos do maridão, a coordenação de tudo e, claro, se encantou com a rotina de poder. Impressionada com a fila de prefeitos, deputados e vereadores que lhe procuravam diariamente e com as filas de bumbas-bois lhe convidando para ser madrinhas das brincadeiras, o deslumbre veio foi fácil.

E veio junto a arrogância, a empáfia e a antipatia ao distribuir nãos e grosserias com truculência. Ela não ficava satisfeita só com as negativas dadas aos políticos do baixo clero maranhense, mas gostava também de humilhá-los, afrontá-los e em algumas ocasiões até gritos quando se tratavam de políticos de Colinas, seu curral eleitoral onde ela também é uma espécie de prefeita de fato. Agora, com a derrota consumada no Estado, o que resta a ela e ao grupo é encarar a ressaca e a perda de comando do Estado a partir do ano que vem.

Com a perda do poder vem a abstinência dele. O celular que outrora tocava sem parar, fazendo-a trocar de número toda semana só para ter o prazer de se procurada, já deve ter parado. As mensagens, os pedidos diários, a puxação de saco e os fuxicos que ela tanta gosta já começaram a fazer falta.

O preço dessa postura autoritária e soberba, acompanhado de um jeito anacrônico de fazer política – trazendo inclusive a velharia dos Sarney para o centro da disputa – virá mais rápido do que ela pensa. E a já deve ser cobrado em Colinas. No berço político da família, vereadores aliados, lideranças, servidores municipais e a população de um modo geral estão um pote até aqui de mágoas dela pelo tratamento dispensado. Os relatos das grosserias daquela que achava que o poder era eterno e não se atentou pra sua efemeridade são muitos. E os riscos de perderem a menina dos olhos deles, Colinas, daqui a dois anos, é grande.

Senão vejamos: Orleans Brandão obteve no berço político da família 12.099 votos, Eduardo Braide 8.094 e Felipe Camarão 1.100. Somando os votos de Braide e Camarão são 9.194 votos, ou seja, apenas 2.905 sufrágios separam os Brandão da oposição colinense.

Agora vem a parte que tá tirando o sono deles: no município de Colinas tem algo em torno de 1.000 cargos do governo estadual que a oposição terá o poder de indicar cada um deles a partir do ano que vem. Por baixo esses mil cargos podem render no mínimo uns 4 mil votos. Ou seja: os Brandão além de terem perdido o Palácio dos Leões correm sério risco de perderem também Colinas em 2028.

E a culpa, a máxima culpa, é toda deles, Audreia Noleto e Marcus Brandão.